Música sustentável: o lixo que vira arte

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O músico Ricardo Botter Maio

O que para muitos são apenas garrafas pets, pisos de cerâmicas quebrados, resto de ventilador e caixa de isopor jogadas nas caçambas de lixo espalhadas por Campinas, para Ricardo Botter Maio todos esses materiais podem ser transformados em instrumentos musicais.

Músico autodidata, Ricardo desde pequeno sempre teve um contato próximo com a música e decidiu seguir os passos do irmão mais velho, que também é músico. No ano de 2004, o músico começou a dar aulas voluntárias de violão para adolescentes com deficiência intelectual do Instituto Norberto. Com o passar dos anos anos, o coordenador do Instituto percebeu que a interação desses adolescentes com a música trouxe resultados positivos e então propôs que as aulas abrangessem mais alunos.

Ricardo sugeriu que se as aulas fossem realizadas com instrumentos de percussão, pois chamariam mais a atenção dos alunos. No entanto, o Instituto e o músico possuíam tais instrumentos para todos os alunos interessados nas aulas. “Para fazer a percussão, começamos a montar chocalhos com garrafinhas pets. Passamos a utilizar latas e tambor de óleo porque não tinha material, depois começamos a trabalhar com as partes de notas, onde eu comecei a usar pisos de cerâmicas quebrados que encontrava em locais em construção” explica o músico.

Todos os materiais que Ricardo passou a utilizar na confecção dos instrumentos foram recolhidos das ruas. “Sempre que eu estou passando próximo a uma caçamba de lixo, ou em lugares que estão em construções e eu encontro algum material que possa ser transformado em instrumento levo para casa e depois lá penso o que fazer.”

Na hora da montagem dos instrumentos, Ricardo contou com a ajuda dos adolescentes. Para ele, essa participação proativa dos alunos ajuda a desenvolver a concentração e a coordenação motora e ainda eles aprendem a tocar em grupo. “A resposta que tenho deles é boa, eles conseguiram ficar mais focados durantes as aulas, se concentram por um tempo maior e prestam mais atenção. Tudo isso eu acredito que está relacionado com a interação com a música” relata Ricardo.

O grupo hoje é formado por 10 alunos e tem o nome de “Tamboreando Sonhos”, onde a principal finalidade do projeto musical é ajudar os educandos a superarem seus desafios e a desenvolverem noções rítmicas e harmônicas. Um fato importante tanto para eles como para Ricardo foi o lançamento em agosto deste ano do CD com as gravações realizadas durante as oficinas. O lançamento oficial aconteceu no Teatro Brasil Kirin, no shopping Iguatemi em Campinas.

No dia do lançamento, os 10 alunos junto com Ricardo se apresentaram no palco do teatro e tocaram os instrumentos feitos de lixo. A preocupação do músico era de que os alunos se dispersassem devido ao tamanho do teatro e a quantidade de gente. “Eles responderam muito bem, foi uma noite muito boa” afirma Botter Maio.

Escute abaixo a faixa número seis do CD, intitulada “Sons 3”.

O CD está sendo distribuído gratuitamente na sede do Instituto e recebeu o patrocínio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAc), na qual empresa recolhedoras de ICMS  (Imposto de Circulação de Mercadoria) destinam uma parte para os projetos culturais que estão cadastrados no programa. Para saber como contribuir com o Instituto e o Projeto acesso aqui.

Confira abaixo uma galeria de fotos dos alunos tocando os instrumentos que está disponível no site do Instituto.

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Sobre Gabriel Luchetti

Estudante de Jornalismo, 20 anos, Campinas - SP.
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Uma resposta para Música sustentável: o lixo que vira arte

  1. Heitor disse:

    Que belíssimo trabalho! Espero que continue!

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