Aposentado reforma ponto de ônibus por conta própria

Ponto de ônibus reformado pelo professor Ahmed El Dash

Ponto de ônibus reformado pelo professor Ahmed El Dash

É na Avenida Dr. Luís de Tella, sinalizada por uma placa que quase não se consegue ver o nome, no distrito de Barão Geraldo, que se encontra uma das mais interessantes obras públicas já vistas nas imediações.  Cansado das repetidas depredações de um ponto de ônibus localizado em frente à casa do filho, o professor aposentado Ahmed El Dash ‘adotou’ o ponto de ônibus e fez uma reforma. O professor desembolsou cerca de 1,5 mil reais para instalar um porta-copos, bancada com jornais e revistas, bebedouro, além de renovar a pintura.

Por telefone, El Dash disse que foi chamado de louco quando começou a reforma no ponto de ônibus. “Quando falei que iria construir o ponto assim, fui chamado de louco e me disseram que logo o ponto estaria destruído. Passado seis meses, nada disso ocorreu e as pessoas até deixaram recados no mural do ponto para me agradecer”, afirma o professor, que veio do Egito para Campinas há 38 anos para estudar na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp e resolveu ficar por aqui e ainda faz um paralelo entre o Brasil e o Egito: “aqui o dinheiro está em primeiro lugar, já lá no Egito isso não acontece. Sempre pensamos primeiro no país, no bem-estar coletivo. Não quer dizer que só porque não ando de ônibus que não posso reformar um ponto para as pessoas utilizarem” relata o aposentado.

Diariamente, ele visita o ponto para pregar no mural a edição do jornal e certificar-se de que há copos disponíveis. Os usuários também colaboram e o revisteiro ganha novas publicações semanalmente. Feliz com a receptividade do projeto, Ahmed fez do ponto de ônibus um local de escambo, onde os usuários poderão trocar produtos. Para isso, o professor instalou uma placa informando que tudo o que estiver no ponto pode ser levado pelas pessoas e que se elas tiverem algo que não serve mais, podem deixar lá.

"Mesa de Troca" instalada pelo professor aposentado

“Mesa de Troca” instalada pelo professor aposentado

O ponto é utilizado, sobretudo, por universitários, pois a Unicamp e a PUC-Campinas ficam a pouca distância. O estudante Felipe Cifarelli mora a dois quarteirões do ponto e é lá que pega ônibus para a faculdade e trabalho. “Nunca tinha visto algo parecido. Esse ponto de ônibus é muito útil. Como o ônibus demora, sempre dá para ler uma revista”, diz Felipe.

O estudante Felipe Cifarelli toma água enquanto aguarda o ônibus

O estudante Felipe Cifarelli toma água enquanto aguarda o ônibus

Além disso, Felipe destaca o bebedouro: “isso aqui é uma maravilha, espero ônibus no ponto e sempre consigo tomar um copo d’água, só tenho a agradecer. Seria ótimo se todos os pontos de ônibus de Campinas fossem ao menos parecido com esse”, diz rapidamente, antes de fazer sinal para o ônibus parar e ir para a aula.

A atitude contrasta com a situação dos pontos de ônibus do restante do município. De acordo com a Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas, a EMDEC, são 5.144 pontos na cidade. Desses, apenas 1.764, ou 34%, são cobertos. Outros 716 não tem nenhum tipo de identificação. A previsão é de que até 2017 apenas 40 pontos serão reformados. Para instalar um banco e cobertura, o custo chega a 9 mil reais, cinco vezes mais do que os gastos de El Dash no distrito de Barão Geraldo. Não é preciso ir muito longe para encontrar essa situação. O ponto do outro lado da rua só tem uma placa sinalizadora colada ao poste, sem nenhuma cobertura e lugar para sentar.

Ponto de ônibus do lado oposto ao do que foi reformado por Ahmed El Dash

Ponto de ônibus do lado oposto ao do que foi reformado por Ahmed El Dash

Confira abaixo uma galeria de fotos do ponto de ônibus localizado em Barão Geraldo e um vídeo mostrando os detalhes da reforma feita por Ahmed El Dash:

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ATEAC promove interação social entre cães terapeutas e jovens da Pestalozzi de Campinas

Os cães terapeutas, junto com os adolescentes da Pestalozzi

Os cães terapeutas, junto com os adolescentes da Pestalozzi

Fabiana Oliveira, uma das psicólogas que trabalham na ATEAC, acompanha as visitas todas as manhãs de terça na Pestalozzi de Campinas, e diz que a ONG surgiu após uma experiência pessoal da bióloga Silvia Jansen. “Silvia, a fundadora da ONG, tem um filho chamado Daniel, portador da Síndrome de Asperger. Quando ele ganhou uma labradora chamada Luana, ela percebeu uma melhora na capacidade motora e social devido ao convívio com a cachorra e resolveu estudar sobre a terapia assistida por animais. Ela então decidiu dividir essa melhora que o filho teve com outras famílias e fundou a ONG.”

Confira a carta escrita pela própria Silvia sobre a relação da melhoria de Daniel com a labradora Luana:

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Em 2005, Silvia iniciou o atendimento em um abrigo para menores e no ano seguinte as atividades passaram a acontecer na Associação para Desenvolvimento de Autistas (Adacamp), que era onde Daniel estudava. Foi em 2007 que a ATEAC constituiu-se como uma ONG. Logo se expandiu e começou a atender em diversos outros lugares, como o Hospital Mário Gatti, Hospital das Clínicas da Unicamp, Hospital Ouro Verde, entre outros locais (confira a lista completa aqui).

Regiane com Aika, a psicóloga Fabiana, Elaine com o Pitty Zé e Roderley com Fred

Regiane com Aika, a psicóloga Fabiana, Elaine com o Pitty Zé e Roderley com Fred

Atualmente, a ONG conta com mais de 70 cães terapeutas, que ao lado de mais de 70 voluntários (que podem ou não ser os próprios donos dos cachorros) se dividem em turmas e horários diferentes para atender em todos os hospitais e associações participantes da ATEAC. Todas as terças de manhã, profissionais e voluntários como Fabiana, Regiane (dona da Ayka), Elaine (não possui cão, mas leva como voluntária o Pitty Zé) e Roderley (dono do Fred) levam os animais até a Pestalozzi para interagirem com duas turmas, uma de sete crianças e outra ao todo com dez adolescentes e jovens adultos. Na parte da tarde, outra turma de voluntários e cães se socializam com mais duas turmas de crianças e adolescentes. Ao total, são cerca de 30 atendidos todas às terças.

Regiane já está a mais de três anos como voluntária da ATEAC. “Conheci a ONG através de um banner em um almoço beneficente que eu fui. Fiz o cadastro, passei por uma entrevista e depois comecei a trabalhar. É um trabalho maravilhoso, a reação deles com os animais é o que faz valer a pena, eles interagem muito bem” relata a dona de casa, que é mãe de gêmeos de seis meses e pratica em casa a interação dos filhos com os animais.

“Qualquer cão pode se tornar um terapeuta, desde que seja dócil. Nós não trabalhamos com raça definida. Depois da inscrição, o animal passa por uma avaliação com um veterinário, onde é feito um teste comportamental e uma simulação. Então apertam o rabo e orelha do cachorro, porque ele não pode de maneira alguma morder. Por último, eles passam por uma avaliação obrigatória mensalmente com todos os cachorros terapeutas, onde é feita uma socialização entre todos eles sob a supervisão de adestradores, porque os cães trabalham juntos, então eles não podem se estranharem” relata Fabiana quando questionada sobre o requisito de como fazer parte da ATEAC.

O pastor alemão Fred socializa com um dos alunos da Pestalozzi

O pastor alemão Fred socializa com um dos alunos da Pestalozzi

A interação com os animais traz bons resultados para as crianças e adolescentes. Sandra, que é a professora da turma de adolescentes da manhã da Pestalozzi, conta que o cachorro aumenta a autoestima deles e o mais importante: os animais não tem discriminação, vão com todos. Escute um trecho do relato da professora:

A ONG não conta com nenhuma ajuda oficial e sempre realiza bazares, bingos e eventos para arrecadar fundos. Além disso, quem doar cerca de 30 reais recebe uma camiseta personalizada. Para saber como contribuir, clique aqui. A ONG fica localizada na Rua Shiego Mori, 1960-B, no bairro de Barão Geraldo.

Confira abaixo uma galeria de fotos que foram tiradas na visita feita no dia 29/10 na Associação Pestalozzi na parte da manhã:

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Música sustentável: o lixo que vira arte

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O músico Ricardo Botter Maio

O que para muitos são apenas garrafas pets, pisos de cerâmicas quebrados, resto de ventilador e caixa de isopor jogadas nas caçambas de lixo espalhadas por Campinas, para Ricardo Botter Maio todos esses materiais podem ser transformados em instrumentos musicais.

Músico autodidata, Ricardo desde pequeno sempre teve um contato próximo com a música e decidiu seguir os passos do irmão mais velho, que também é músico. No ano de 2004, o músico começou a dar aulas voluntárias de violão para adolescentes com deficiência intelectual do Instituto Norberto. Com o passar dos anos anos, o coordenador do Instituto percebeu que a interação desses adolescentes com a música trouxe resultados positivos e então propôs que as aulas abrangessem mais alunos.

Ricardo sugeriu que se as aulas fossem realizadas com instrumentos de percussão, pois chamariam mais a atenção dos alunos. No entanto, o Instituto e o músico possuíam tais instrumentos para todos os alunos interessados nas aulas. “Para fazer a percussão, começamos a montar chocalhos com garrafinhas pets. Passamos a utilizar latas e tambor de óleo porque não tinha material, depois começamos a trabalhar com as partes de notas, onde eu comecei a usar pisos de cerâmicas quebrados que encontrava em locais em construção” explica o músico.

Todos os materiais que Ricardo passou a utilizar na confecção dos instrumentos foram recolhidos das ruas. “Sempre que eu estou passando próximo a uma caçamba de lixo, ou em lugares que estão em construções e eu encontro algum material que possa ser transformado em instrumento levo para casa e depois lá penso o que fazer.”

Na hora da montagem dos instrumentos, Ricardo contou com a ajuda dos adolescentes. Para ele, essa participação proativa dos alunos ajuda a desenvolver a concentração e a coordenação motora e ainda eles aprendem a tocar em grupo. “A resposta que tenho deles é boa, eles conseguiram ficar mais focados durantes as aulas, se concentram por um tempo maior e prestam mais atenção. Tudo isso eu acredito que está relacionado com a interação com a música” relata Ricardo.

O grupo hoje é formado por 10 alunos e tem o nome de “Tamboreando Sonhos”, onde a principal finalidade do projeto musical é ajudar os educandos a superarem seus desafios e a desenvolverem noções rítmicas e harmônicas. Um fato importante tanto para eles como para Ricardo foi o lançamento em agosto deste ano do CD com as gravações realizadas durante as oficinas. O lançamento oficial aconteceu no Teatro Brasil Kirin, no shopping Iguatemi em Campinas.

No dia do lançamento, os 10 alunos junto com Ricardo se apresentaram no palco do teatro e tocaram os instrumentos feitos de lixo. A preocupação do músico era de que os alunos se dispersassem devido ao tamanho do teatro e a quantidade de gente. “Eles responderam muito bem, foi uma noite muito boa” afirma Botter Maio.

Escute abaixo a faixa número seis do CD, intitulada “Sons 3”.

O CD está sendo distribuído gratuitamente na sede do Instituto e recebeu o patrocínio do Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAc), na qual empresa recolhedoras de ICMS  (Imposto de Circulação de Mercadoria) destinam uma parte para os projetos culturais que estão cadastrados no programa. Para saber como contribuir com o Instituto e o Projeto acesso aqui.

Confira abaixo uma galeria de fotos dos alunos tocando os instrumentos que está disponível no site do Instituto.

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